No IPCA, a gasolina é um dos itens com maior impacto individual no custo de vidaFoto: Ramon Bittencourt
Mesmo com o corte anunciado pela Petrobras, o valor Brasil está 5% acima dos preços internacionais
Nessa terça-feira (27) começou a valer a redução de 5,2% no preço da gasolina tipo A para os distribuidores anunciada pela Petrobras. Com isso, o valor médio do litro cairia para R$ 2,57 – um valor muito distante daquele que os motoristas pagam ao reabastecer nos postos, onde o alívio não chega na mesma proporção.
A medida faz parte da política de preços adotada pelo governo federal, que substituiu a paridade com os preços internacionais. Desde julho do ano passado, já são três ajustes promovidos pela estatal de energia.
Mas há um componente do esforço político para impedir, em ano eleitoral, uma alta da inflação, que fechou bem perto do teto da meta no fim de 2025. No IPCA, a gasolina é um dos itens com maior impacto individual no custo de vida, representando 5,08% do índice.
Os analistas financeiros viam espaço para um corte maior. Em todo o mundo, há uma tendência de queda nos preços devido ao aumento da oferta de petróleo. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) observa que, mesmo com o corte da Petrobras, o valor do produto no Brasil está 5% acima dos preços internacionais – sendo que, em novembro, ele estava 11% maior.
Também pesa contra o consumidor a questão dos impostos. Especialmente o reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), que passou de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro no início deste ano, após deliberação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), a soma dos impostos federais e estaduais gerava um custo aos motoristas e donos de frotas de R$ 2,25 por litro de gasolina.
Com mais de 124 milhões de veículos e uma economia baseada primordialmente no transporte terrestre por rodovias e ruas, a gasolina exige uma política pública de preços mais focada no desenvolvimento do que em interesses políticos momentâneos ou numa sanha arrecadatória que não se reverte em serviços de qualidade ao povo.
Fonte: O Tempo
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