Posto de gasolina em São Paulo durante greve dos caminhoneiros durante governo Temer • 23/05/2018 – Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo
Planalto precisou ceder em negociações e chegou a acionar militares para desbloquear rodovias
Quase oito anos após caminhoneiros paralisarem as atividades em todo o país por dez dias, o governo brasileiro está em alerta com a possibilidade de uma nova greve nacional da categoria.
A pressão ocorre diante de um cenário de escalada do preço do diesel. Na última semana, foi anunciado um pacote de medidas, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio. A União zerou PIS/Cofins sobre o diesel, criou uma subvenção para reduzir os preços nas bombas e anunciou mudanças na fiscalização dos valores.
Nesta quarta-feira (18), o ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou que haverá impedimento de contratação do frete para as empresas que descumprirem pagamento do valor mínimo estabelecido de forma reiterada.
A última greve geral começou em 21 de maio de 2018, sob o governo de Michel Temer (MDB). A mobilização teve início em um trecho da rodovia Dutra, no estado do Rio de Janeiro, mas se espalhou por 25 unidades da federação.
Naquela época, o pano de fundo também era a alta no preço dos combustíveis. No quinto dia da greve e sem sucesso nas negociações, Temer chegou a assinar um decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) — que na prática permitia o uso das Forças Armadas para liberar as rodovias.
A medida autorizava militares a remover ou conduzir veículos que estivessem obstruindo vias públicas. Também permitia a escolta de veículos que prestassem serviços essenciais, além da proteção de locais e estruturas críticas para a população.
No mesmo dia, a AGU (Advocacia-Geral da União) também obteve uma liminar junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) que previa a aplicação de multas a empresas de comércio e transporte que não cumprissem a desobstrução das vias.
Entre outros pontos, a determinação do ministro Alexandre de Moraes também suspendia decisões judiciais que inviabilizassem a desobstrução e reintegração de posse das rodovias federais e estaduais.
Do cancelamento de voos à suspensão de aulas
As consequências da greve atingiram diversos setores: voos foram cancelados, com aeroportos sem combustível, aulas foram suspensas, diante da dificuldade de deslocamento, e centrais de abastecimento de alimentos foram prejudicadas.
Na época, a AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) estimou que o país tenha perdido pelo menos US$ 1 bilhão com exportações que deixaram de ser feitas.
O acordo que deu fim à greve
A paralisação só foi encerrada no dia 31 de maio, após o Palácio do Planalto ceder nas negociações.
Na ocasião, o Executivo editou três MPs (medidas provisórias) como parte do acordo que deu fim à greve:
- MP 831/2018: reservava 30% do frete contratado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para cooperativas de transporte autônomo, sindicatos e associações de autônomos
- MP 832/2018: instituiu a Política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas
- MP 833/2018: alterava a Lei dos Motoristas (Lei 13.103/2015) para estender para as rodovias estaduais, distritais e municipais a dispensa de pagamento de pedágio do eixo suspenso de caminhões.
Além disso, o governo também reduziu o preço do litro do diesel por um período de 60 dias.
No dia do encerramento da mobilização, Temer participou de um culto evangélico e mencionou críticas a sua decisão de dialogar.
“Graças a Deus, estamos encerrando a greve dos caminhoneiros. Encerrando por meio de uma atitude minha que tem sido criticada, que é o diálogo. Não do uso da força”, disse o então presidente.
*Com informações da Agência Brasil e da Agência Senado
18/03/2026
Fonte: CNN
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