Imagem criada com uso de IA

Conflito envolvendo Estados Unidos (EUA), Israel e Irã voltou a colocar o barril acima de US$ 100

Quando um conflito cria gargalos logísticos para a movimentação de petróleo, a indústria sente. A escalada militar envolvendo Estados Unidos (EUA), Israel e Irã voltou a colocar o barril acima de US$ 100 e reacendeu um risco clássico para a economia global: inflação mais alta, juros elevados por mais tempo e maior volatilidade cambial.

Petróleo: o custo invisível de tudo

Com pressões sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, o mercado reagiu rapidamente. Em 9 de março de 2026, o Brent chegou a tocar US$ 119,50 antes de recuar para a faixa de US$ 106, enquanto o WTI também superou US$ 100.

Quando o petróleo sobe, a transmissão para a economia é quase imediata. Diesel, nafta, asfalto e fretes avançam em bloco, pressionando custos logísticos e industriais.

Do barril ao bolso

Nos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI) acumulava alta de 2,4% em 12 meses em janeiro. Um choque energético tende a interromper esse processo de desaceleração, dificultando cortes de juros. Quando combustíveis sobem, bancos centrais costumam agir com mais cautela.

Na China, após meses de inflação baixa, o CPI chegou a 1,3% em fevereiro, maior nível em mais de três anos. Para o Brasil, esse movimento importa porque custos e demanda chinesa influenciam diretamente setores como mineração, aço e químicos.

No Brasil, o IPCA acumulava alta de 4,44% em janeiro e a Selic permanece em 15% ao ano. Petróleo mais caro pressiona combustíveis, fretes e insumos importados. Em momentos de maior risco global, o dólar também tende a se valorizar, ampliando a pressão sobre custos industriais.

Impactos esperados por setor

Na siderurgia, energia e frete sobem, enquanto a demanda global pode enfraquecer. O câmbio favorece exportações e reduz a competitividade do aço importado, mas encarece insumos como carvão e coque;

Na mineração, diesel e logística pressionam custos, ao mesmo tempo em que a volatilidade chinesa aumenta a incerteza sobre volumes exportados;

Em óleo e gás, produtores tendem a se beneficiar da alta do barril, enquanto refino e distribuição enfrentam maior volatilidade e risco de repasse incompleto;

Na indústria de papel e celulose, exportadores ganham com o câmbio, mas enfrentam custos maiores de químicos, energia e transporte;

Na química básica, a alta da nafta e de derivados comprime margens quando o repasse não ocorre rapidamente;

Já na construção civil, o efeito é duplo: materiais mais caros e juros elevados por mais tempo, o que tende a desacelerar vendas e novos lançamentos.

Mais importante que o pico é a duração

Em choques de commodities, a variável decisiva raramente é o pico de preço, mas a duração. Se o conflito e as restrições logísticas persistirem, custos elevados podem se tornar estruturais, pressionando margens e preços em toda a cadeia produtiva.

Em um mundo interconectado, conflitos distantes rapidamente se transformam em impacto local.

Fonte: Diário do Comércio

“As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui, não refletem necessariamente o posicionamento do SINDIMINAS”