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No Brasil, os dois primeiros meses do ano, se somados, também registraram queda, porém, menos significativa que a do Estado
Depois de um 2024 de alta nas vendas, o etanol iniciou o ano de 2025 com queda na demanda em Minas Gerais. No primeiro bimestre deste ano, foram vendidos 384 mil metros cúbicos (m³) do biocombustível, o que representa uma queda de 11,5% em relação aos 434 mil m³ do primeiro bimestre do ano passado.
Em todo o País, os dois primeiros meses do ano, se somados, também registraram queda, porém, menos significativa que a do Estado. A demanda nacional por etanol caiu 1,3% no período. As informações são da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O diretor e professor da unidade Floresta do Centro Universitário Estácio, Alisson Batista, explica que com a estabilização do preço da gasolina em 2025, a busca pela alternativa do etanol se tornou mais atrativa no pós-Carnaval.
“Além disso, o mercado já reage para a possibilidade de até 30% do etanol na mistura conjunta à gasolina, que, atualmente, é de 27%”, ressaltou.
Segundo Batista, o fato da queda das vendas do etanol ter sido maior em Minas do que no Brasil, se deve a questões como fluxo de abastecimento e qualidade do combustível pesarem na escolha do consumidor, apesar do etanol ser mais competitivo no preço em relação à gasolina, com paridade de 67,20%, sobretudo na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
“Os impactos produtivos em nível nacional nos principais produtores de etanol, com destaque para São Paulo, impactaram na estabilização do preço face à gasolina na nossa região, levando os consumidores a optarem pela alternativa”, explicou.
Minas Gerais tem alta nas vendas totais de combustíveis
Quando analisadas as vendas totais de combustíveis, Minas Gerais teve alta nas negociações. Foram 5,5% a mais em termos de volume do que no ano passado. Enquanto no primeiro bimestre de 2024, o Estado vendeu 2,6 bilhões metros cúbicos do combustível, em 2025, os dois primeiros meses foram responsáveis por 2,7 bilhões de m³ em vendas.
Nesse sentido, o economista da Estácio explica que o aquecimento da economia no início do ano leva a uma demanda maior por combustíveis. “O pós-Carnaval e as atividades econômicas de diversos setores trazem outros horizontes, de maior consumo, com datas festivas ainda no primeiro semestre como a Páscoa e o Dia das Mães. Além disso, há também os feriados, mantendo o setor de serviços também aquecido”, diz.
Entre os combustíveis que mais avançaram nas negociações a gasolina foi a que puxou o aumento no consumo no bimestre, marcando acréscimo de 10,9% com relação ao primeiro bimestre deste ano. Foram 767 mil m³ em 2025 ante os 691 mil m³ de 2024.
Diesel e Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) também tiveram alta nas vendas no período. Em todo o Estado, a alta do diesel foi de 6,2% nas vendas, e 5,34% no volume negociado de GLP.
“Como o preço da gasolina se manteve estável, é comum este aumento de consumo, visto que o consumidor deixou de optar pelo etanol. Já referente ao diesel, o aumento das atividades e do aquecimento da economia contribuem para maiores negociações”, detalha Batista.
Ele ressalta ainda que, na região Sudeste, reajustes a médio prazo como o de combustíveis contribuem para uma inflação maior, chegando a impactar preços de alimentos para o consumidor final. Então, a tendência é que, agora, haja uma leve alta nos preços destes combustíveis e, consequentemente, nos alimentos.
Procurado, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro) não se manifestou sobre o assunto.
Fonte: Diário do comércio
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