O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a elevação do percentual da mistura de etanol anidro na gasolina dos atuais 27% para 30%. O ministro quer aproveitar o aumento da produção agrícola prevista para 2025, em especial na oferta de milho e no setor sucroalcooleiro, para aumentar a mistura dos combustíveis e avançar na pauta da descarbonização.
A medida, que ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE ), foi anunciada por Silveira nesta segunda-feira (17). O CNPE é formado por 17 ministros do governo.
De acordo com o ministro, com o E30 (como é chamado o novo combustível), “o preço da gasolina na bomba vai cair” e a compra de gasolina do exterior será dispensada.
“Com o E30 nos tornaremos em definitivo independentes da importação de gasolina. Esse é um ganho incalculável para a soberania nacional”, disse Silveira durante evento para anúncio do E30.
“Vamos deixar de necessitar de importar 760 milhões de litros de gasolina e vamos, ao contrário, ter condição de exportar, porque com 1,5 milhão de litros de etanol produzidos, vamos ter gasolina sobrando para exportação. Nós vamos poder reduzir o preço na bomba de combustível, o que é fundamental para a nossa economia nacional”, complementou.
Testes
A proposta de mudança do teor de etanol na gasolina faz parte da Lei do Combustível do Futuro, aprovada em setembro pelo Congresso e sancionada em outubro pelo presidente Lula (PT).
O anúncio também foi feito após a realização de testes com o aumento do percentual na da mistura do etanol na gasolina realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul, em São Paulo.
Os testes foram feitos em conjunto com entidades do setor automotivo e de biocombustíveis, como Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
Além da análise técnica, outros fatores são levados em consideração pelo CNPE antes de tomar uma decisão sobre a mudança do teor do etanol na gasolina:
impacto nas emissões de gases de efeito estufa, considerando a produção de etanol adicional;
infraestrutura de produção e distribuição;
preços para os consumidores;
impactos na arrecadação tributária, uma vez que as alíquotas incidentes sobre a gasolina pura e o etanol anidro (usado na mistura) são distintas.
Mudança na mistura poderá afetar bolso dos motoristas
Conforme noticiado pela Gazeta do Povo, um estudo da consultoria agro do Itaú BBA, divulgado no fim de janeiro, revelou que a maior presença de etanol na gasolina pode levar a aumento nos preços dos combustíveis.
O levantamento indicou uma alta de 0,6% no preço da gasolina comum e de 3,6% no do etanol hidratado nos postos. Isso tornaria o etanol menos competitivo em relação à gasolina. Nas usinas, o etanol anidro – usado na mistura com a gasolina – poderá ter uma alta de 4,3%.
Fonte: GAZETA DO POVO
IMAGEM: FOTO DIVULGAÇÃO.
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