ICMS da gasolina e do diesel aumentou em fevereiro – Foto: Alex de Jesus/O Tempo
QUEM PAGA A CONTA?
Economistas mensuram o efeito da alta na inflação
O aumento do preço do diesel e da gasolina, válido desde o dia 1º de fevereiro, desespera motoristas, mas também tem repercussões no bolso de quem sequer tem um veículo. Os combustíveis pesam na inflação em geral e respingam até no preço da comida, já pressionado neste ano.
Em Minas Gerais, o preço médio da gasolina subiu de R$ 6,09 para R$ 6,24 após o reajuste do ICMS neste mês — em BH, ele também aumentou R$ 0,15, de R$ 6,12 para R$ 6,27, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil (ANP). Sozinha, essa alta é o bastante para, hipoteticamente, aumentar em 0,10 ponto percentual a inflação mensal de Belo Horizonte, calcula a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead).
O coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), André Braz, chega a um cálculo similar considerando a inflação nacional. “A gasolina representa, em média, 5% do orçamento familiar. Isso significa que cada variação de 1% no seu preço impacta o IPCA em aproximadamente 0,05 ponto percentual. Considerando uma possível alta de 2,5% na bomba, o IPCA pode avançar cerca de 0,12 ponto percentual em fevereiro devido a esse aumento”.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que representa a inflação, é um termômetro do custo de vida, e um aumento dele significa que o dia a dia ficou, em geral, mais caro. Em alguns casos, a repercussão dele é ainda mais direta, como em contratos de aluguel residencial que são reajustados conforme o índice. “É importante que os salários subam para acompanhar esses aumentos”, pontua o economista do Ipead, Diogo Santos.
Ele lembra que o aumento da gasolina decorreu do reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). Ele é o principal imposto estadual e custeia gastos públicos essenciais, por isso o aumento prejudica o bolso do consumidor, por um lado, mas é importante para o cidadão, por outro, pondera Santos. “O tributo é uma parte essencial do funcionamento da sociedade. Quando vamos ao posto de saúde e tem remédio e médico, tudo isso foi pago com impostos. Os serviços do Estado também têm reajuste, como insumos e pagamento dos funcionários”, reflete.
Alta do diesel tem repercussões indiretas, mas expressivas
O diesel teve um duplo aumento neste mês: o reajuste do ICMS, como a gasolina, e uma alta promovida pela Petrobras. Assim, o diesel S10 nos postos saltou de R$ 6,06 para R$ 6,36 em Minas entre janeiro e fevereiro. Ainda que, geralmente, o combustível não seja utilizado diretamente nos veículos da maioria da população, ele tem um efeito cascata que chega às gôndolas do sacolão e à mesa dos brasileiros.
“O diesel tem um peso relativamente baixo no índice, de apenas 0,2%. No entanto, seu impacto vai além desse percentual, pois é um insumo estratégico para a economia. Ele influencia a atividade produtiva ao movimentar máquinas agrícolas, viabilizar o transporte rodoviário de cargas, gerar energia em usinas termelétricas e até afetar tarifas de transporte público. Dessa forma, embora o impacto direto do aumento do diesel no IPCA seja pequeno, os efeitos indiretos podem ser significativos devido ao seu papel central na estrutura produtiva do país”, explica o economista do FGV Ibre André Braz.
A analista técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg Senar) Aline Veloso detalha como ocorre esse desdobramento de custos: “a maior parte dos produtos, sejam eles agropecuários ou das indústrias, é transportada por caminhões, que são abastecidos com diesel. O aumento no combustível tem reflexo no preço de vários itens, inclusive no dos alimentos”, pontua
Não é uma alta que aumente o lucro dos produtores rurais, diz ela, apenas tenta recompor os custos ao longo da cadeia produtiva. Os próprios produtores utilizam diesel no maquinário agrícola e depois precisam arcar com o transporte da mercadoria. “Estamos colhendo a nossa primeira safra de grãos no estado, então os custos já estão incorrendo”, destaca Veloso.
A repercussão do diesel nos demais produtos é gradual. Por ora, os transportadores arcam, eles próprios, com o aumento no caso de contratos assinados antes do reajuste, afirma o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Gladstone Lobato. “Em Minas, nosso custo operacional é muito maior. O que gastamos em diesel parados no Anel Rodoviário de Belo Horizonte é quase 15%, 20% do custo da viagem, dependendo de qual for”, diz ele. O cálculo de Lobato é que pelo menos um terço do custo das viagens é referente ao diesel. “O preço dele acarreta no de tudo: alimentos, aço, minério, remédio…”, analisa.
Fonte : O Tempo
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